domingo, 7 de novembro de 2010

O caminho de Deus é perfeito

 O caminho de Deus é perfeito; a palavra do SENHOR é provada; ele é escudo para todos os que nele se refugiam.
 Pois quem é Deus, senão o SENHOR? E quem é rochedo, senão o nosso Deus?
 Deus é a minha fortaleza e a minha força e Ele perfeitamente desembaraça o meu caminho.
                           (2 Samuel 22:31-33)          


"Literatura de cordel é uma delícia"




Aproxima o saber das pessoas, pois é escrita numa linguagem popularesca (mas não menos rica) e muitas vezes tem recursos antigos, como metáforas.



Literatura de cordel é um tipo de poema popular, originalmente oral, e depois impressa em folhetos rústicos ou outra qualidade de papel, expostos para venda pendurados em cordas ou cordéis, o que deu origem ao nome originado em Portugal, que tinha a tradição de pendurar folhetos em barbantes. No Nordeste do Brasil, o nome foi herdado (embora o povo chame esta manifestação de folheto), mas a tradição do barbante não perpetuou. Ou seja, o folheto brasileiro poderia ou não estar exposto em barbantes. São escritos em forma rimada e alguns poemas são ilustrados com xilogravuras, o mesmo estilo de gravura usado nas capas. As estrofes mais comuns são as de dez, oito ou seis versos. Os autores, ou cordelistas, recitam esses versos de forma melodiosa e cadenciada, acompanhados de viola, como também fazem leituras ou declamações muito empolgadas e animadas para conquistar os possíveis compradores.     

história da literatura de cordel começa com o romanceiro luso-holandês da Idade Contemporânea e do Renascimento. O nome cordel está ligado à forma de comercialização desses folhetos em Portugal, onde eram pendurados em cordões, chamados de cordéis. Inicialmente, eles também continham peças de teatro, como as de autoria de Gil Vicente (1465-1536). Foram os portugueses que introduziram o cordel no Brasil desde o início da colonização. Na segunda metade do século XIX começaram as impressões de folhetos brasileiros, com suas características próprias. Os temas incluem fatos do cotidiano, episódios históricos, lendas , temas religiosos, entre muitos outros. As façanhas do cangaceiro Lampião (Virgulino Ferreira da Silva, 1900-1938) e o suicídio do presidente Getúlio Vargas (1883-1954) são alguns dos assuntos de cordéis que tiveram maior tiragem no passado. Não há limite para a criação de temas dos folhetos. Praticamente todo e qualquer assunto pode virar cordel nas mãos de um poeta competente.
No Brasil, a literatura de cordel é produção típica do Nordeste, sobretudo nos estados de Pernambuco, da Paraíba, do Rio Grande do Norte e do Ceará. Costumava ser vendida em mercados e feiras pelos próprios autores. Hoje também se faz presente em outros Estados, como Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo. O cordel hoje é vendido em feiras culturais, casas de cultura, livrarias e nas apresentações dos cordelistas.
Os poetas Leandro Gomes de Barros (1865-1918) e João Martins de Athayde (1880-1959) estão entre os principais autores do passado.
Todavia, este tipo de literatura apresenta vários aspectos interessantes e dignos de destaque:
§                     As suas gravuras, chamadas xilogravuras, representam um importante espólio do imaginário popular;
§                     Pelo fato de funcionar como divulgadora da arte do cotidiano, das tradições populares e dos autores locais (lembre-se a vitalidade deste gênero ainda no nordeste do Brasil), a literatura de cordel é de inestimável importância na manutenção das identidades locais e das tradições literárias regionais, contribuindo para a perpetuação do folclore brasileiro;
§                     Pelo fato de poderem ser lidas em sessões públicas e de atingirem um número elevado de exemplares distribuídos, ajudam na disseminação de hábitos de leitura e lutam contra o analfabetismo;
§                     A tipologia de assuntos que cobrem, crítica social e política e textos de opinião, elevam a literatura de cordel ao estandarte de obras de teor didático e educativo.

sábado, 6 de novembro de 2010

Festejo junino em Castro Alves
cidade da poesia ainda preserva tradição
Quem vai lá São João comemorar
A de na bagagem,agasalho, coragem, animação levar

Pra juntar-se no dia da festa
com a turma da Capelinha
que sai nas primeiras hora do dia
pra acordar São João e convidar a população
pra receber cortesia daqueles que são escolhidos
pra abrirem a casa e dar de beber e comer
e em troca, ouvir zabumba, sanfona e baião

Animação pessoá!
A festa vai começá!
A cidade já acordô...
canjica, mio, amendoim e licô
sinhá já preparô
Só farta o sanfoneiro
Puxar fole arretado
pros homes e muié
dançá, forrofiar até o dia clariar
de braço dado e rosto colado

Daí em diante a palavra de orde é chega pra cá
conterrânio de perto e de longe
venha admirar, matar sordade do povo e do lugá
de pai, de mãe e aproveitar os festejos
sem tê hora pra terminá

São João por aqui evoluiu... e muito
já não é mais num estilo só
está bem variado de ritmos e maneiras
mas, sem perder o essenciá
e pra agradar a todo mundo
consegue juntar coisa e outra
com um só intento
deixar a alegria comandar todo o festejo
dando cara nova ao tradicioná
misturando forroxé, forrocha...
e pra vestir um tal caubói e cauntri
se mistura ao vestido de chita, chapéu de paia e gravata de nó

Pra quem aprendeu na escola
lição de cultura e tradição
vê que por aqui ainda resiste a conservação do jeito jeca
na festa de São João
Nada por preconceito, mas por congratrulação
a este que conserva virtudes e valores
e é exemplo de educação

Por aqui costumes e maneiras
caipira, fogueira, forró, rojão
canjica, pamonha, licor, churrasco na brasa da fogueira
laranja, amendoim, tangerina pra esperar a meninada que vai passar e perguntá:
_São João passou por aqui?
Esperando  o agrado que o dono da casa vai lhe fazer

Graças a Deus uma coisa sumiu da festa
foi o temido, balão
mas a festa no jeito matuto
não pode, nem deve  acabar
negar raízes nem pensá
afinal é preciso quando nada nessa época
fazer reverências a quem planta e colhe
cuida da terra e espera a fartura que chega com a chuva
e rega a terra e alcança seu coração.

(Aut. Ednildes Neri)
       Junho/2005.
Escolhi este tema, “literatura de cordel” em junção ao meu apelido para facilitar o acesso ao mesmo, pois nem todos me conhecem pelo meu nome.
Desejo promover através do mesmo um saudável contato com todos aqueles que admiram esse gênero textual que permite a mistura de elementos da literatura erudita ocidental, aliados às características e particularidades do humilde sertanejo (sem nenhum preconceito, nem fuga das normas gramaticais) que tem facilidade de utilizar a oralidade e construir poesias que descrevem a realidade de forma lúdica, clara, sentimental, verdadeira e de fácil compreensão em versos simples como é o povo do sertão.
Acrescento ainda que trago comigo um dom de versar com estilo cordelista. Possuo alguns cordéis que gostaria de publicá-los.
E pude ver que muitos dos meus alunos, durante trabalhos voltados ao fazer literário, enquanto estudamos sobre o poeta Castro Alves, os cordelistas Patativa do Assaré uma intimidade e facilidade de os mesmos produzirem poesias em especial cordéis inusitados. Aqui em nossa região é fácil encontrar repentistas e até um cordelista reconhecido: “Beco de Petim”.
Dessa forma os convidarei a fazer parte desse blog, publicando livremente as suas produções literárias.
Outros, com certeza serão ataídos a participar.
Afinal nascemos, vivemos na terra do Grande poeta Castro Alves. 

Literatura de cordel

"Cultura Popular que se transforma para continuar ao lado do povo"




A literatura de Cordel, a exemplo do samba que agoniza mas não morre, por ser uma cultura popular e resistente, o cordel não só não morre, como se dissemina em mais de 70 modalidades; é alvo de discussões em relação ao repente; tem papel importante na alfabetização e ainda vira teatro nas mãos do ator e cordelista. 
Se origina exatamente das folhas soltas portuguesas, manuscritos vendidos em praça pública. Cantados e contados, geralmente em trovas (estrofes de quatro versos). Pelo fato dessas folhas soltas ao vento serem vendidas penduradas em cordões - cordas finas - ganhou o nome de cordel. Foram os portugueses que trouxeram o cordel, em forma de cantigas de bemdizer e maldizer. Foi aqui no Brasil com a nossa criatividade, que ele se legitimou como cultura brasileira. E se formaram mais de 70 modalidades.